Seja bem-vindo ao site dum sujeito que resolveu pensar, e pior, resolveu escrever o que pensou. Espero que você me ature.
Aqui postarei tudo o que me vier na mente. O leitor atento logo verá que muita coisa aqui não passa de maluquice, mas essa é a graça - aproveito e atesto que este site deve ser tratado como uma praça pública, chamada José Dias. Haverá um pouco de tudo: poesia, ensaios, relatos, contos, etc. Às vezes os temas acabam se misturando. Já aviso de antemão que escreverei tanto em português quanto em inglês. Se tu estiveres disposto a sentar ao meu lado e se deixar levar pela conversa, então tu fizeste um amigo.
Como ainda não sei usar essa língua diabólica (a do computador), os textos serão provisoriamente postados aqui mesmo, nesta única página.
Lista de Presença20/09/2026
I will tell thee the obvious, but mark me, sometimes one needeth to hear from another mouth to notice the same problem in himself. It is often that I find myself tempted by my own vices, and when I unfortunately give way to these thriftless pleasures, their rotten fruits are what feed me when reality cometh back, revealing my true hunger unsatiated. This weird allegory will soon make sense, or not. The temptations come majorly when I am tired, when my sleep was insufficient because of indiscipline, thus leaving my judgment weak; and the way they come is always luring, thou wouldst think of aversion when thou art fit to thine wit, naturally. Notwithstanding, they seduce thee, tired or rested. At the beginning they take shape of something innocent, perhaps acceptable, making thee think it will not hurt to indulge a little. Oh cruel lie, at the moment that the door is open the vices come in regardless of thine will. It is weird to think that they make thee numb, create a mist before thine eyes, blind thy judgment, and, when thou art left wretched, retreat themselves to the shadows. Everyone has their own temptations, and they take all kind of forms; I have met people who indulge in alcohol, who cannot resist a lie, who pays every harlot for her services, who spends countless hours gaming, playing cards at the bar or on his computer at home. All of this remembers me about some cultists, in the game Fear & Hunger, wearing bunny masks and making an orgy outdoors. There, the player is given a choice, of which he can simply deny and walk away; he is given the opportunity to fornicate to fully heal the character, but with a great risk at hand, for he needeth to flip the coin; if it landeth the chosen side, well, good enough, the character hath his fun and liveth on, although, if the coin landed on the side the player chose not, the character loseth himself in the pleasure and becometh one more prisoner, unable to leave, just like the other cultists. I do not want to flip coins forever, one day my luck will not be on my side.
07/09/2026
Da minha adolescência até a minha juventude um dos meus maiores prazeres tem sido a caminhada, e caminhada longa na maioria das vezes. Vou do início até o fim da minha cidade se somar a distância que percorri andando em círculos pelos caminhos mais agradáveis. Como sou filiado à ordem dos cavaleiros andantes, sigo à risca os conselhos de Dom Quixote. Primeiro, levar provisões - eu não consigo mais sair de casa sem uma mochila com comida, água e algumas bugigangas. Segundo, ter uma montaria - a minha é a melhor de todas, não gasta gasolina, não tem IPVA para pagar, e quando o freio de trás já não funciona mais, aí que é a hora de levá-la para uma revisão. E terceiro, ter uma escudeiro - no meu caso eram vários, mas isso antigamente, agora só ando com outros cavaleiros.
Uma coisa que notei com o passar dos anos foi o ir e vir natural dessas amizades. Deixe-me explicar; no auge das minhas andanças, éramos três solteiros. Na primeira oportunidade nos congregávamos na rua a andar. Certo dia, um dos amigos começou a namorar. Sua presença tornou-se ausente nas caminhadas. Ficamos afetados pela falta do amigo, mas continuamos caminhando. Até que este outro amigo também começou a namorar e, do mesmo modo, virou um fantasma que só aparece mediante uma invocação em latim.
Ora, pensei comigo mesmo, meus amigos se deram bem na vida! Como sobrou apenas eu da ordem, o destino com certeza me providenciará uma formosa donzela! Bom, nem Dulcineia nem del Toboso eu encontrei até então, mas isso não vem ao caso. O que me peguei refletindo nesse meio tempo solitário foi justamente sobre esses relacionamentos. Como o homem e a mulher ficam incumbidos de responsabilidades novas. Novas e graves. Um sujeito virtuoso que namora é muito mais maduro que um solteiro, ao meu ver. Este primeiro abdicou-se do prazer pueril de caminhar em prol dum dever mais nobre, o matrimônio. Caminhar é fácil, não há necessidade de preocupações, pois você terá a impermanência como sua companheira, casar que é difícil; quando se faz do casamento a sua moradia, você adquire um ponto de retorno, por que dormir a céu aberto quando se tem um teto para te acolher? Quem diria que esses nômades tornaríam-se sedentários, a mulher realmente faz milagres.
E eu continuo a andar sem rumo nas mesmas ruas; é quando não se procura que tu achas o que queres.
02/06/2026
Eu perdi alguma coisa. Não lembro o que era. É ruim perder algo e não se lembrar do que se perdeu. Que saco, perdi até a próxima frase que ia escrever. Era epifânica, agora já era, fica para a próxima. Ah, sim! Eu estava numa festa, daquelas bem chiques. Havia duas mesas designadas que eu poderia transitar livremente: a dos rapazes e a das moças. Fiquei na das moças por educação à cortesia do anfitrião que me convidou à festa. Abstive-me de falar, ou melhor, perdi a fala, não tinha o que falar apesar de muito querer dizer. Acatei o silêncio. Mas não havia silêncio, ainda as escutava. Sim, ouvia palavras que carregavam nada com nada, que nem comer pão de sal; se empanturre o quanto quiser, quando menos esperar se encontrará faminto de novo. Até esqueci de ter fome nesse dia? Por que pergunto? Não sei, também esqueci. Estar presente na festa já não fazia diferença. Estranho como não esqueço da festa.
Esqueci de esquecer e portanto lembrei de algo alegre. Essas boas lembranças, por mais escassas que sejam, me animam tanto o coração. Deu o horário de ir para casa, findou-se a aula do dia. Eu não sei porquê, resolvo ir até o ponto de ônibus. Despretensiosamente andando, vejo uma arvorezinha com algumas flores, arranco-lhe uma, sem razão aparente. Agora chego ao ponto e a razão fica evidente, uma menina sentava cabisbaixa a encarar os pés; ela é da minha sala, raramente conversamos.
Decido entregar-lhe a flor.
- Mas por quê? Ela me pergunta.
- É que eu te vi tão triste, espero que isso alegre o seu dia.
E como alegrou, quanta ternura vejo no seu lindo sorriso pálido. Dá até gosto de recontar como se fosse presente e não passado. A gota de ternura que pingou desta linda flor, é ela que me faz aturar esse oceano de tristeza.
21/09/2025
Em vários momentos na minha vida ocorreram-me pensamentos intrusivos, maliciosos - tão descontrolada a minha mente está - que prediziam situações futuras que com geralmente nunca aconteciam; provavam-se ilusões. Tive outra dessas invasões no dia de ontem. Estava na roça acompanhado pela família e pela Mel, minha cachorrinha. Como fazia um tempo que ela não voltava ao seu habitat natural, por ter passado algumas semanas na cidade comigo, a sua euforia era evidente e contagiante.
Até que em certo momento ela começa a cavar um buraco nas entranhas dum arbusto e a se comportar como se estivesse caçando um animal. Foi observando essa cena que fui assediado pela imagem mental da Mel sendo mordida por uma cobra, e senti-me invadido pela vontade de tirá-la dali; foi como uma certeza absoluta que se ela continuasse o que estava fazendo, morreria. Foi então que me lembrei de um trecho do livro Leviathan que dizia mais ou menos nesses termos: o passado existe em nossa memória, o presente na natureza física, mas o futuro não tem no que existir; no máximo podemos tentar prevê-lo, e para isso é preciso experiência e conhecimento vastos da realidade - coisas completamente fora do meu escopo até então -, tudo isso para uma chance mínima de acerto.
Voltando a situação da Mel, meu medo foi em vão quando logo percebi o intuito daquela escavação, era o de abrigar-se contra o cachorro maior que também estava lá, o Feroz. Que tolice a minha.
Isso tudo abriu meus olhos para não ouvir cegamente essas cojecturas desvirtuantes.
06/07/2025
- Árden: O lugar pode ser o mais impropício de todos, e mesmo assim, o senhor raciocínio faz questão de me acompanhar. Escute-me bem, Plínio, pois tenho algo a dizer.
- Plínio: Talvez esse seja o seu novo recorde, ainda nem pedimos a primeira cerveja. Mas vá em frente enquanto acendo meu cigarro.
- Árden: E é sobre ele que vamos falar. Andando de bicicleta ontem à noite fui abordado por um pensamento intrigante sobre o fumo. Uma vez vi um jovem americano dizer na internet que fumava cigarros puxando a fumaça diretamente pros pulmões vazios, evitando ao máximo a contaminação do ar puro junto à fumaça com o intuito de aproveitar melhor as qualidades do dito cujo. Porém veio-me à mente a seguinte analogia: o elemento água em estado puro é o mais ideal para o consumo. Misturar outras substâncias à água faz com que você ainda tenha o efeito base dela, mas com um extra. Efeitos benéficos em sua maioria, ao meu ver, apesar de venenos também existirem. Talvez por causa de sua natureza amigável ao corpo humano ela possa ser consumida em sua forma pura. Já quanto ao fogo, não podemos consumi-lo puro como fazemos com a água, ele nos queima, é forte demais. Podemos associar o cigarro nessa situação ao consumo do fogo, portanto, creio eu que o ideal seja fumar misturando o fogo com o ar, ou seja, puxar a fumaça para a boca e então pros pulmões, para que tiremos proveito dele em forma atenuada e diluída, e que seria desaconselhável fumar puxando a fumaça diretamente pros pulmões.
- Plínio: Será que você não está se precipitando um pouco, Árden, ao falar do consumo destes dois elementos?
- Árden: O que quer dizer com isso?
- Plínio: Quando queremos beber d’água diluída, digamos que um café, o objeto principal do qual tiramos proveito é a água ou o pó de café?
- Árden: O pó de café.
- Plínio: Isso mesmo. Perceba como bebemos café não porque tem água na mistura, mas sim por causa do pó de café. A água é um intermediário, um árbitro. Da mesma forma acontece com o caso do fumo, que por sinal é uma mistura de três elementos: o ar, que é a fumaça gerada; o tabaco, que é a terra; e o fogo, que é a força ígnea usada para acendê-lo. O fogo em conjunto com o ar são intermediários que dão luz à estrela do show que é o tabaco, elemento terra.
- Árden: Realmente, seu parecer deu mais clareza ao tópico. Mesmo assim, creio que você ainda considera verdadeiro o que eu disse a princípio quanto a intensidade da fumaça?
- Plínio: Sem sombra de dúvida. Isso é algo que requer o devido equilíbrio. Agora cale-se por um momento que lá vem a nossa cerveja.
- Árden: Que assim seja.